Do Rio de Janeiro.
Por Pedro Muxfeldt.
04/10/2012 - A
data era 27 de setembro de 1914. Em campo, a Seleção Brasileira, contando com
nomes como Marcos de Mendonça, Píndaro e Friedenreich, fazia seu primeiro jogo
oficial. A partida, contra os hermanos argentinos, valia o título da Copa Roca
e o gol único do centro-médio Rubens Salles, do Paulistano, trouxe o caneco
para terras tupiniquins. O torneio, aliás, foi oferecido pelo general e ministro
argentino de Relações Exteriores Julio Roca – daí o nome do confronto – como
forma de estreitar os laços entre os dois países.
Pois
bem, o tempo passou e as coisas mudaram. Brasil e Argentina, irmanados pelo
Mercosul e suas presidentas progressistas, já não mais buscam fortalecer
alianças através de partidas de futebol. Muito pelo contrário, são nas
contendas esportivas que a rivalidade entre os dois países separados pelas Cataratas
do Iguaçu mais se exacerbam atualmente.
Sem
razões políticas, quais seriam, então, os motivos para, em meio a um já
arrochado calendário, CBF e AFA – estas duas monarquias da bola – programarem o
Superclássico das Américas, a Copa Roca 2.0? Em tempos pós-Muro de Berlim, a
resposta é fácil: o vil metal.
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| Refletores apagados e objetos arremessados no campo. (Foto: Mowa Press) |
Iniciado
ano passado, com vitória brasileira, o torneio caça-níquel, onde apenas
jogadores atuando em times brasileiros ou argentinos podem participar, sofreu
uma rasteira do destino em sua edição 2012.
Após
o jogo de ida, no Serra Dourada, alvicelestes e canarinhos viajaram até o Chaco
argentino, na pequena cidade de Resistencia, para decidir o campeão.
A
1000 km de Buenos Aires, os 22 atletas encontravam-se perfilados, assistindo a
duas deprimentes interpretações dos hinos nacionais, quando três dos refletores
do acanhado estádio, inaugurado em maio de 2011, apagaram.
Sem
luz, o árbitro Enrique Oseas retardou o início da partida. À toda hora, surgia um
“organizador” informando o retorno da eletricidade em cinco ou dez minutos.
De
promessa em promessa, os minutos foram passando e a paciência de torcedores e
jogadores esgotava-se.
Quando
parte da iluminação retornou, o capitão argentino e ex-Corinthians, Sebá Dominguez
sugeriu que a bola rolasse. Com a negativa dos goleiros, o impasse foi mantido
até que, quando o relógio já apontava meia hora de atraso, Oseas optou pelo
retorno das equipes aos vestiários.
Pouco
tempo depois, veio a notícia que todos esperavam. A partida, com sete Copas do
Mundo na mesa e quase 100 anos de História, estava cancelada por falta de luz.
Triste.
O
apagão deixou bem claro (perdão!) que o futuro do futebol sul-americano não está
em mais jogos e mais receitas, e sim, em menos Teixeiras e Grondonas.

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