sábado, 29 de setembro de 2012

Coluna: Fomos vendidos

De Belo Horizonte. 
Por Matheus de Oliveira. 


29/09/12 - A Copa do Mundo de 2014 bate à porta e nossos dirigentes, secretários, prefeitos, governadores, ministros e nossa presidenta (como gosta de ser chamada) correm perdidos para que o país fique pronto – e não ficará - para receber os cerca de 600 mil turistas que visitarão o Brasil em busca de futebol, diversão e cultura.

Os estádios caminham a passos curtos, mas devem ser finalizados até a data limite. Caso alguma cidade não apronte o palco de jogo, será imediatamente cortada da lista de sedes, diz a Fifa. Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e Salvador pretendem entregar suas arenas até os primeiros meses de 2013, pois receberão a Copa das Confederações em junho do próximo ano.

Minha expectativa maior é por conta da infraestrutura das sedes. Nas nossas principais capitais, o problema do trânsito, junto ao dos aeroportos, parece ser o mais complicado. Quanto aos hotéis, o número de leitos deverá ser o suficiente para a demanda, mas haverá excesso após a Copa do Mundo e eles podem ficar ociosos, o que preocupa os investidores.

Foto: Reinaldo Marques
Esses assuntos estão diretamente ligados à Copa, mas um em especial, que tem maior ligação com nossas tradições do que com o Mundial, tem passado despercebido por muita gente. Quando a Fifa anunciou que teremos partidas às 13h, me assustei, afinal, não é comum no Brasil, país que parece ter um romance astral com o sol, disputar partidas num horário um tanto desagradável. Só nos resta torcer para que em junho e julho de 2014, quando estaremos no inverno brasileiro e os jogos serão disputados, a estação faça valer a teoria de as temperaturas ficarão baixas, o que não acontece ultimamente com a inconstância da natureza que faz com que o calendário de estações deva ser jogado no lixo.

A mudança me proporcionou observar outras que me chamaram a atenção. Como noutros Mundiais, a língua oficial do torneio será o Inglês, uma marca estrangeira de cerveja patrocinará o evento e, somente por isso, teremos bebida alcoólica liberada nos estádios excepcionalmente para o evento. Nossas arquibancadas, acostumadas ao agito do torcedor que pula, vibra e costuma ficar de pé mesmo com a cadeira à disposição, terá que se submeter ao "estádio teatro" dos europeus, por pelo menos um mês.

Essa Copa, afinal, parece que não terá a cara do Brasil. E não terá.  Da entidade máxima e privada do futebol que tem como objetivo o lucro, vem as ideias e imposições. De nós, o financiamento e a execução. Quando Lula e Ricardo Teixeira uniram esforços para trazer o evento para o Brasil, automaticamente permitiram que nossa cultura e nossas tradições fossem quebradas, que a Fifa usasse e abusasse de seu estilo europeu para promover o torneio como bem entendesse e, claro, com isenção de impostos, para variar. A Copa do Mundo tem dono e eles não querem que ela seja sua.

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