quinta-feira, 25 de julho de 2013

Galo libertador

É CAMpeão! Galo não se intimida diante do tricampeão Olimpia, vinga placar de 2 a 0 sofrido em Assunção e, nos pênaltis, garante sua primeira Copa Libertadores

De Belo Horizonte.
Por Arthur Möller.

25/07/13 - "Vencer, vencer, vencer. Esse é o nosso ideal. Honramos o nome de Minas, no cenário esportivo mundial". Nunca houve um momento tão apropriado para se cantar este trecho do hino do Atlético como agora. A tradição, a retranca e a catimba do Olimpia não foram suficientes para impedir que o Mineirão, tomado por 60 mil pessoas, assistisse à maior conquista dos 105 anos de história do Clube Atlético Mineiro. Não foi fácil. Os gols demoraram a sair, a ansiedade tornou-se quase insuportável na prorrogação, mas nas penalidades máximas, saiu vencedor o time que jogou o melhor futebol durante toda a competição. O Galo está de passaporte carimbado para Marrocos!

Jogadores atleticanos festejam com a tão cobiçada taça de campeão da Libertadores.
(Foto: Bruno Cantini/Flickr do Clube Atlético Mineiro)

A bola rolou e, antes dos dois minutos de jogo, o Atlético assustou em chute cruzado de Diego Tardelli; Jô e Bernard chegaram para conferir, mas acabaram se atrapalhando. O time do Olimpia se posicionou atrás da linha da bola, mostrando a que veio. Com o meio bastante congestionado, R10 e cia. exploraram as jogadas de linha de fundo e, em alguns momentos, chutes de longa distância. Apesar de defensiva, a equipe paraguaia saiu bem nos contra-ataques e, aos 15 minutos, quase marcou. Victor foi bem e evitou o gol que poderia ter colocado um fim no sonho alvinegro.

O Galo insistiu nas jogadas aéreas. O lateral direito Michel, substituto de Marcos Rocha - suspenso -, foi muito acionado e correspondeu bem às expectativas. Se apresentou para o jogo, e acertou bons cruzamentos. Apesar da pressão, o Olimpia se portou de forma fria e continuou incomodando nos contra-ataques. Alejandro Silva entrou na área pela esquerda, limpou a marcação, mas não pegou bem na bola, facilitando a vida do camisa 1 atleticano. O primeiro tempo terminou com o Atlético-MG acionando Jô, no ataque, constantemente. Mas, nada de gol. Restavam apenas 45 minutos.

Olimpia conseguiu segurar o 0 a 0 no primeiro tempo, e chegou com perigo em alguns momentos. 
(Foto: Bruno Cantini/Flickr Clube Atlético Mineiro)

Para resolver a ineficiência do meio-campo atleticano na primeira etapa, o técnico Cuca colocou Rosinei no lugar de Pierre, ainda no intervalo. Cuca está mesmo em grande fase. No primeiro, dos 45 minutos restantes, Rosinei virou o rosto - ao estilo Ronaldinho - e cruzou para a área, a defesa do Olimpia se atrapalhou, deu uma pixotada, e Jô aproveitou. Gol de matador! Galo 1 a 0. O "Eu acredito" ganhou mais força nas arquibancadas. Era possível. Havia tempo. E os jogadores do Galo sabiam disso. A pressão só aumentava. Jô, Diego Tardelli e até o zagueirão Leonardo Silva estiveram perto de marcar. A bola teimou em não entrar. Quando não era o goleiro Martín Silva ou o paredão de zagueiros, era o travessão. 

A equipe paraguaia chegou pouco, mas quando esteve no campo de ataque, assustou. Os dois times passaram a errar muitos passes e, além disso, o jogo tornou-se "amarrado", devido ao número de faltas. Mas a fé atleticana, em nenhum momento, foi abalada. Martín Silva operou um verdadeiro milagre quando um levantamento de Ronaldinho foi desviado, aos 25 minutos. Em seguida, R10 pegou uma sobra, encheu o pé e, no rebote, Diego Tardelli isolou, dentro da pequena área. Pelo menos já havia sido assinalado impedimento no lance. Menos mal. 

Aos 37 minutos, um lance capital. O centroavante Ferreyra recebeu lançamento nas costas da defensiva atleticana e, na saída precipitada de Victor, driblou-o e teve tudo para marcar e garantir o tetracampeonato para o Olimpia, mas não marcou. O jogador escorregou, e o Mineirão respirou aliviado. Na sequência, o zagueiro Manzur derrubou Alecsandro, que havia substituído Michel aos 27 minutos, e foi expulso. Esperança, apreensão, fé, ansiedade... Uma explosão de sentimentos. Explosão ainda maior aconteceu aos 41 minutos, quando Leonardo Silva subiu mais que todo mundo para testar o cruzamento do garoto Bernard. Galo 2 a 0, e loucura no Mineirão!

Torcedor atleticano manteve a fé, mesmo nos momentos mais delicados da decisão.
(Foto: Bruno Cantini/Flickr Clube Atlético Mineiro)

Por muito pouco, Alecsandro não marcou aos 43 minutos, e a decisão foi para a prorrogação. O Atlético-MG tinha um homem a mais, o que tornou a partida numa disputa de ataque contra defesa. Réver e Josué estiveram próximos de marcar, não fosse o travessão - de novo - e o goleiro adversário, respectivamente. A essa altura, o Galo detinha 73% da posse de bola e já havia alçado 52 bolas na área do Olimpia, ou seja, um massacre. Nos 15 minutos finais, muita emoção. Leonardo Silva cometeu falta boba, próximo à área do Atlético-MG; na cobrança, Pittoni - algoz atleticano na primeira partida da final, em Assunção -, levou perigo. A resposta veio novamente com Alecsandro, mas a bola não entrou, e a Taça Libertadores da América foi decidida na disputa por pênaltis.

Galo levou a melhor na disputa de pênaltis, de novo; dessa vez, para ficar com a taça.
(Foto: Bruno Cantini/Flickr do Clube Atlético Mineiro)

Miranda bateu no meio do gol, e "São Victor" tirou com os pés. Alecsandro ensinou como se bate uma penalidade, e colocou o Galo em vantagem. O centroavante Ferreyra bateu mal, mas estufou as redes; tudo igual. Guilherme, em uma cobrança magistral, recolocou os donos da casa na frente. Candía converteu sua cobrança e, na sequência, Jô fez o mesmo. O volante Aranda empatou; 3 a 3. Leonardo Silva bateu bem e deixou o Atlético mais próximo da conquista. Em seguida, Matías Giménez cravou seu nome na história do Clube Atlético Mineiro. O jogador acertou a trave, e decretou a heroica vitória do time comandado por Cuca. A América se rendeu ao Galo, pela primeira vez.

Ficha do jogo:

Atlético-MG 2 x 0 Olimpia-PAR

ATLÉTICO-MG:
Victor; Michel (Alecsandro), Réver, Leonardo Silva e Júnior César; Pierre (Rosinei), Josué, Diego Tardelli (Guilherme) e Ronaldinho; Bernard e Jô
Técnico: Cuca

OLIMPIA-PAR:
Martín Silva; Manzur, Miranda e Candía; Alejandro Silva (Giménez), Mazacotte, Aranda, Pittoni e Benítez; Salgueiro (Baez) e Bareiro (Ferreyra)
Técnico: Ever Hugo Almeida

Local: Estádio Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
Data: 24/07/2013
Horário: 21h50 (horário de Brasília)

Árbitro: Wimar Roldan (COL)
Assistentes: Humberto Clavijo e Eduardo Ruiz (ambos da Colômbia)

Público: 56.557 pagantes
Renda: R$ 14.176.146,00

Cartões Amarelos: Bernard e Luan (Atlético-MG); Salgueiro, Martín Silva, Ferreyra, Giménez e Benítez (Olimpia)
Cartão Vermelho: Manzur (Olimpia)

Gols: ATLÉTICO-MG: Jô, a 1, e Leonardo Silva, aos 41 minutos do segundo tempo

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