segunda-feira, 22 de julho de 2013

Coluna: Triste realidade

De Belo Horizonte.
Por João Vitor Cirilo.

22/07/13 - Conversava há pouco com meu amigo Rodolpho Victor, futuro jornalista e dono do blog NotiGalo, sobre a situação na qual nos vemos envolvidos hoje. O futebol deixou de ser esporte para a maior parte da população do Brasil, que é pobre, e não é mais um meio de aproximar as pessoas. Rodolpho me dizia que "alguém colocou na nossa cabeça que é normal pagar 200 reais pra ver um jogo". E a maioria de nós, sem voz, teve que aceitar calado.

A venda de ingressos para a final da Libertadores 2013, entre Atlético Mineiro e Olimpia, demonstra essa triste realidade. Com ingressos variando de 100 a 500 reais, eu garanto a você que 90% (ou mais) da torcida atleticana não tem condições de ir ao estádio.

Outro bom exemplo? Ontem, reabertura do Maracanã para jogos de clubes: Fluminense 1x3 Vasco. Anel superior e atrás dos gols com público relativamente bom (chegou a 40 mil, no total), e setor inferior, com assentos próximos ao campo, cheio... de cadeiras vazias.

Nos dias de hoje, sou daqueles que só vai ao campo pagando meia-entrada (sou estudante) e no setor mais barato. Acho inadmissível pagar 60, 80, 100 reais para ver uma "simples" partida de futebol.

A grande verdade é que quem gosta mesmo de ir ao campo, debate, fica a semana inteira falando sobre futebol, é gente de menor poder aquisitivo. A maioria dos ricos não estão verdadeiramente nem aí pra isso. Futebol no nosso país sempre teve seu lado social, de aproximar as pessoas, nos fazer esquecer nossos problemas durante duas horas. Quer exemplo maior do que as antigas gerais? Ingressos a cinco reais, ou menos, e gente correndo pra todo lado, garotinhos jogando bola durante o jogo, alegria total.

Eu ia ao campo antigamente, acompanhado de meu pai, com os olhos brilhando. Era mágico. Perdemos isso. Agora, com o meio do futebol cheio de frescurinhas, o acesso é cada vez mais fechado para a grande massa.

Sem falar na perda da essência que tradicionais estádios como Mineirão e Maracanã sofreram. Futebol virou teatro (nada contra o verdadeiro teatro). Todos assentados, menor festa... Preços exorbitantes para estacionamento e alimentação. Até o tropeiro ficou frufru. Neste ano, fui a um Atlético x Villa Nova, no Gigante da Pampulha, único jogo do Galo como mandante por lá na temporada. O Galo já estava classificado para as finais do estadual, mas a torcida garantiu 50 mil ingressos (vendidos a 20 e 40 reais). No dia, postei a foto abaixo nas redes sociais, com a seguinte legenda:

"É o Mineirão, é legal, mas não é a mesma coisa. Confesso que nunca fui um frequentador assíduo do Gigante da Pampulha, mas as vezes que fui me marcaram. Como diria meu amigo Rafael Martins, faltam as barraquinhas do lado de fora, com churrasco e sanduíche, faltam os varais com camisas piratas, as bandeiras... Valeu voltar à velha casa, lotada como sempre esteve, mas parece que ela nunca mais será como já foi um dia".

Futebol de verdade: quem viu, viu. E quem não viu?

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2 comentários :

  1. Ainda bem que vou poder contar, menos que muito pouco, sobre o futebol de verdade. Ingresso de R$ 5,00, Romário, Vampeta, etc.

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  2. É uma faca de dois gumes. O futebol hoje tem mais dinheiro. Nunca vimos transações milionárias do jeito que vemos hoje, importando jogadores como nunca importamos na história. O que proporciona isso é o dinheiro do torcedor. Antigamente os atleticanos pagavam cinco conto, mas viam jogadores mediocres. Cruzeirenses pagavam dez conto e viam Adriano Louzada. Sempre terão jogadores mediocres concordo, mas o futebol brasileiro teve um poder aquisitivo maior e isso se deve a essa modernização que tirou o verdadeiro torcedor do campo.

    Bruno Santana

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