De Belo Horizonte.
Por Vinícius Silveira.
21/10/2012 - Na lógica, na percepção da maioria, este jogo tinha status de "decisão" do Campeonato Brasileiro. Entretanto, foi muito mais além do que os críticos e torcedores imaginavam, sejam eles fanáticos ou racionais e, até mesmo, os dois times em campo. Atlético Mineiro e Fluminense quebraram a barreira do egoísmo, da mesmice, dos profetas do acontecido e encheram os olhos dos espectadores, sejam eles pela TV, rádio ou presentes ao campo. O Galo venceu o Fluminense por 3 a 2, na Arena Independência, em Belo Horizonte, provando que não existe vencedor ou campeão de véspera.
O Atlético-MG entrou de vez na briga pelo título, somando 63 pontos, permanecendo na vice-liderança. O Fluminense continua líder isolado, com 69 pontos, mas assiste o Galo em seus calcanhares.
Na próxima rodada, o Atlético volta a jogar apenas na quarta-feira da próxima semana (31), contra o Flamengo, em Belo Horizonte. O Fluminense vai encarar o Coritiba, quinta-feira (25), no Rio de Janeiro.
Quando a bola rolou...
No primeiro tempo, todos esperavam um jogo emocionante, com grandes jogadas, várias de gols e os goleiros trabalhando muito. Mas, viu-se apenas o Atlético Mineiro atacar, criar, finalizar e fazer o goleiro do Fluminense executar belíssimas defesas. O lance mais polêmico da partida aconteceu aos 21 minutos. O Atlético Mineiro tinha uma falta para bater e Ronaldinho Gaúcho iria cobrar. O goleiro do Fluminense, Diego Cavalieri, ajeitou sua barreira com cinco jogadores. O camisa 49 cobrou o tiro livre e fez o gol, mas o árbitro Jailson Macedo Freitas invalidou o lance alegando falta do zagueiro Leonardo Silva, que se apoiou na barreira e, de certa forma, tirou-a de sua formação. Assistindo pela televisão, a falta pareceu existir, mas para alguns, mais um erro de arbitragem na conta do campeonato.
O Galo chegou a mandar duas bolas na trave. Uma com Bernard, aos 44 minutos, depois de um leve toque de Diego Cavalieri, e no minuto seguinte com Jô, que finalizou, a bola desviou no meio do caminho e acertou o travessão. A única de gol do Fluminense no primeiro tempo aconteceu na falta cobrada por Thiago Neves, por cima da barreira, no último lance da etapa.
Todas as emoções ficaram para o segundo tempo, em que os torcedores não ousaram sentar nas cadeiras da Arena Independência. O primeiro gol surgiu aos 10 minutos e em uma jogada característica do Fluminense no Brasileirão, o contra-ataque. Após descida de Diguinho e passando para Bruno, o lateral tocou para Fred, que recebeu e entregou para Wellington Nem dominar e bateu para o gol na saída de Victor. O Atlético não se enfraqueceu com o gol e não demorou muito para achar o empate. Na arrancada de Ronaldinho, ele serviu a Jô, que bateu cruzado no alto das redes de Diego Cavalieri.
A partida ganhava contornos de suspense e muita emoção para todos, principalmente após os 35 minutos, quando a indefinição era a grande palavra diante de todos. O Galo conseguiu a virada aos 36 minutos. Após descida de Bernard pela esquerda, o meia fez o cruzamento e Jô subiu na segunda trave para tocar de cabeça, no contra-pé de Cavalieri e virar o jogo. O Fluminense não se acovardou. Mexidas no time vieram para colocar a equipe mais à frente no campo e, aos 40 minutos, Carlinhos chegou a linha e cruzou rasteiro para Fred vencer o goleiro Victor e fazer seu centésimo gol com a camisa do Fluminense.
O Atlético passou a se atirar para o ataque. A raça e a gana dos jogadores se sobressaiam ao forte calor que fazia em Belo Horizonte. O Fluminense passou a esperar um erro do time atleticano, voltando a tática que não deu muito certo no primeiro tempo. Aos 47 minutos, no último lance do jogo, Ronaldinho Gaúcho viu a presença do zagueiro Leonardo Silva, que em um instante subiu para o ataque não guardando posição. O camisa 49 fez o levantamento na segunda trave e o zagueiro subiu para tocar de cabeça e fazer o gol da vitória atleticana. Final, Atlético-MG 3 x 2 Fluminense.
Alguns ainda quiseram creditar a arbitragem um mínimo de responsabilidade pelo resultado, mas com um jogo dígno da palavra "decisão", ainda que muito cedo, pois faltam seis rodadas para o término do campeonato. Alguém vai querer pensar em juiz, em algum erro? Melhor não, pois os donos do espetáculo, os jogadores, realizaram a melhor partida deste Brasileirão 2012. Quiçá, dos últimos tempos.
Fluminense: Diego Cavalieri, Bruno, Gum, Digão e Carlinhos; Edinho, Diguinho, Deco (Wagner) e Thiago Neves (Rafael Sobis); Fred e Wellington Nem.

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