De Belo Horizonte.
Por Rafael Lopes.
12/10/12 - Muito criticam a postura de
determinadas equipes futebolísticas por adotarem
posicionamentos políticos. Equipes como o Barcelona, entre outras, não
representam apenas um time de futebol, e sim uma ideia. Possuem entre sua
ideologia, causas, principalmente, separatistas. Não há razão em chamar de
politicagem o propósito de uma equipe.
Para entender melhor a
situação, voltamos ao século passado, nos anos de 1939 até 1975, quando
Francisco Franco governava a Espanha. Durante esse período, várias regiões e
culturas foram reprimidas no país, incluindo a Catalã. E nesse tempo, o
Barcelona fez oposição ao totalitarismo de Franco, ao contrário de seu rival
citadino o Espanyol, mantendo o seu hino em catalão e a forte identificação com
a região.
Durante o Franquismo, a
região catalã foi proibida de utilizar de sua língua local (o Catalão), e teve
de abdicar de inúmeras tradições culturais como a Sardana (dança tradicional
catalã). Enquanto Franco proibia isso nas ruas catalãs, o Barcelona abria as
portas do Camp Nou para a divulgação desses costumes e tradições, e até mesmo
quando o ditador exigiu algumas mudanças em determinados segmentos, este clube
se recusou.
Se o Barcelona, por um lado,
se opunha a Franco, do outro o Espanyol atendia às ordens do ditador.
Inclusive, mudou seu nome nesse período para Real Club Deportivo Español,
voltando a adotar o nome catalão (Reial Club Deportiu Espanyol de Barcelona)
apenas 20 anos após a morte de Franco.
Fora Franco, historicamente,
há inúmeros atos de repressão à Catalunha por parte da Espanha. Incluindo na
Guerra de Sucessão Espanhola, entre 1702 e 1714, quando seu estado foi
dissolvido e incorporado ao Reino da Espanha.
Pode-se dizer que essa
geração de catalães não sofreu com isso. Mas, ainda sim, isso está na memória
da região. Uma recordação histórica não é facilmente apagada da mente de um
povo, e não precisa, necessariamente, ser excluída dela. Podemos lembrar de
exemplos como o nazismo na Alemanha e o fascismo na Itália. Alemães e italianos
da atualidade não participaram desses movimentos, porém os seus antepassados o
fizeram, e isso deixa essa triste lembrança histórica.
Agora, voltando ao ponto de
vista esportivo, o que seria de Barcelona sem Real Madrid e sem o Campeonato
Espanhol, uma vez que o Campeonato Catalão não levanta fundos e tem pouca
visibilidade para o clube?
Primeiramente, devemos saber
que a separação da Catalunha não significa, necessariamente, a exclusão das
equipes catalãs do campeonato espanhol. E isso é uma prática comum em diversos
países da Europa, como o AS Mônaco (Mônaco) que participa do Campeonato
Francês, o FC Vaduz (Liechtenstein) que joga o Campeonato Suíço, o Swansea City
e o Cardiff City (País de Gales) que jogam o Campeonato Inglês, entre inúmeros
outros times.
"Segundamente", analisando
hipoteticamente, caso as equipes catalãs se separem do Campeonato Espanhol,
podem sim formar um campeonato com menor visibilidade. Porém, lembrando que o
Barcelona possui a maior torcida da Europa, e isso, sem dúvidas, traz um grande
destaque a esse torneio.
E por ultimo, o Barcelona
não precisa, necessariamente, do Real Madrid, nem vice-versa. Apesar da
rivalidade, algo que continuaria existindo, e a possível polaridade de seus
campeonatos. Essas equipes poderiam se enfrentar hora ou outra em uma
competição europeia, uma vez que ambas participam com muita frequência da UEFA
Champions League.
Assim como o Barcelona,
várias equipes representam uma causa, como o Athletic Bilbao, o Celtic, etc. A
própria equipe do Santos de Pelé, parou, por determinado tempo, uma sangrenta
guerra civil no Congo Belga. Atribuir à equipes de futebol uma ideia não é
errado. O que é errado é utilizar do esporte para iludir a população e tirar de
foco problemas de determinadas regiões, como fez a presidente da Argentina,
Christina Kirchner.
Confira mais colunas na página especial do "A bola está comigo".
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