Do Rio de Janeiro.
Por Pedro Muxfeldt.
19/09/2012 - Alguns podem não saber, mas Telê Santana, antes de
se tornar técnico, onde notabilizou-se ao comandar a inesquecível Seleção
Brasileira de 1982 e o São Paulo bicampeão mundial, foi jogador de futebol – e dos
bons.
Ponta-direita
do Fluminense durante toda a década de 1950, Telê destacava-se por sua entrega
em campo. Esta característica, somada ao corpo franzino, lhe rendeu a alcunha
de “Fio de Esperança”.
Em
baixa no Campeonato Brasileiro e vivendo um dos piores momentos de sua história
recente, o Flamengo possui seu fio de esperança a ser tecido. Magrinho como Telê,
o garoto Adryan, de 18 anos, mais uma vez resolveu para o rubro-negro e, com um
belo gol de falta, garantiu o empate em 1 x 1 com o Grêmio.
O
resultado, apesar de não alterar o posicionamento da equipe na tabela, traz um
alento ao torcedor após quatro derrotas consecutivas. Com 28 pontos, o Fla é o
16º colocado. Na terceira colocação, o Grêmio chega aos 48 pontos e corta em um
ponto a vantagem do líder Fluminense.
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| Sem ser efusivo na comemoração, Adryan bateu falta como manda o figurino. (Foto: Cleber Mendes/Lancenet!) |
Com
a água batendo cada vez mais perto do pescoço, Dorival Júnior novamente mexeu
no time. Além dos retornos dos estrangeiros González e Cáceres, o treinador
escalou Wellington Silva na lateral-direita, trazendo Léo Moura para jogar no
meio-campo.
As
mudanças não alteraram o padrão de jogo da equipe. Com a lentidão de sempre na
saída de bola, os donos da casa não conseguiam ameaçar o gol gremista.
Sem
a proximidade com a zona de perigo pesando nas costas, o time de Vanderlei
Luxemburgo trabalhava a bola com calma, explorando, principalmente, as descidas
de Pará, auxiliado por Marco Antônio e Elano.
Em
uma dessas jogadas pelo lado direito, o Grêmio abriu o placar aos 18 minutos.
Elano meteu bola nas costas de González e o boliviano Marcelo Moreno apareceu
para dar um toque sutil na saída de Felipe.
Em
vantagem, os gaúchos recuaram sua marcação, antes realizada desde a intermediária
ofensiva, e aguardaram as investidas do Flamengo. Jogando em marcha lenta, o
rubro-negro pouco criou no restante da primeira etapa. Exceção à regra foi o
chute de Liédson no travessão, aos 23. Na jogada, lance de rara velocidade do
ataque da Gávea, Ramon centrou rasteiro para o Levezinho finalizar.
No
intervalo, Dorival sacou o nulo Luiz Antônio e colocou Adryan. Finalmente
escalado como articulador, o garoto mudou a postura do Flamengo, que veio para
o segundo tempo mais incisivo na frente.
Seguindo
à risca os mandamentos da escola de Luxa, o tricolor abdicou ainda mais do
ataque, principalmente após a entrada de Vilson no lugar do meia Marco Antônio.
A cautela excessiva do treinador foi castigada aos 15 minutos.
Em
cobrança de falta no ângulo, Adryan empatou a partida. Na comemoração, cara
amarrada e cumprimentos dos companheiros.
Querendo
os três pontos, o Mengo partiu para cima, em especial depois da substituição de
Liédson por Nixon. A pressão à la Flamengo, com muitos passes errados e uma série
de bate-rebates na área, quase resultou em gol aos 36 minutos.
Léo
Moura arrancou em contra-ataque e esticou para Nixon. A batida do atacante da
base foi prensada pelo zagueiro e parou no corpo de Marcelo Grohe.
O
futebol ainda não está nem perto do nível apresentado pelos esquadrões de Telê,
contudo, com Adryan, o torcedor rubro-negro tem o direito de sonhar com dias
melhores.
Devido
aos jogos da Sul-Americana no meio de semana, Flamengo e Grêmio só voltam a
campo no domingo (23). No Serra Dourada, o Fla faz duelo de rubro-negros com o
lanterna Atlético Goianiense, às 16 horas. Já o Imortal enfrenta o Galo no Independência,
às 18h30min, em jogo que vale a segunda colocação.

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