segunda-feira, 7 de maio de 2012

Coluna: A bola está comigo - Tradição e administração ascendem as divisões inferiores do futebol paulista

De São Paulo.
Por Eduardo do Carmo.

07/05/2012 - O alto nível técnico das divisões inferiores do Campeonato Paulista surpreendeu e me fez acompanhar as competições de acesso com maior atenção. Confesso que não dá para largar as grandes atuações, por exemplo, do Santos de Neymar e cia ltda, mas quem parou em frente à TV ou foi aos estádios para assistir os jogos da A2 e A3 não se arrependeu.


O futebol paulista vem se reinventando e busca a enorme visibilidade que já teve em temporadas passadas. Tempos em que as tardes de sábado na TV Cultura era reservada à ”segundona”.  Hoje, quem faz esse papel – há um bom tempo – é a Rede Vida, que transmite durante o ano todas as divisões inferiores do Paulistão e a Copa Paulista, importante competição que dá vaga à Copa do Brasil ao campeão.

A fórmula para esta ascensão é muito simples. O ressurgimento de clubes com grande tradição aliado às novas agremiações, que contam com trabalhos específicos de administração e gestão no futebol, geram esse excelente resultado apresentado. A grande prova disso é vista nas finais dos Estaduais desse ano.

Na A2, o São Bernardo, clube do ABC paulista, vai na contramão dos outros clubes da região (Santo André e São Caetano), que tiveram sucesso no cenário nacional, mas não conseguiram suportar a boa fase e caíram de rendimento. O Tigre do ABC está na final e pode garantir o primeiro título da história com apenas sete anos de existência. O time foi um dos 20 integrantes do Paulistão no ano de 2011, mas caiu na mesma edição. Mesmo assim, continuou focado no projeto e voltará em 2013 à elite do futebol paulista.

O adversário da equipe de São Bernardo do Campo é o União Barbarense. O Leão de Santa Bárbara d’Oeste, perto de seu centenário, também está de volta ao Paulistão. A primeira participação dos interioranos na A1 aconteceu em 1999 e já com um resultado importante: campeão do Interior. E lá permaneceu até 2005, quando caiu para a A2.

Grêmio Osasco e Juventus ilustram a situação na A3. Um dos times mais queridos de São Paulo, situado na Mooca, está de volta a A2, após acesso confirmado no último domingo. O Juventus, conhecido como Moleque Travesso, ganhou este presente algumas semanas após os 88 anos de vida.

Já o Grêmio Osasco, com apenas quatro anos de fundação, atingiu um feito histórico. O clube da região metropolitana de São Paulo, dirigido pelo ex-jogador Vampeta, disputará as finais da A3. Com o pentacampeão no comando, a equipe conseguiu muitos apoios e patrocinadores.

Do outro lado da decisão, buscando reviver os bons momentos, o Rio Branco. O time da cidade de Americana volta a disputar a A2 no ano do centenário. O currículo do Alvinegro Americanense é recheado por diversas participações na divisão de elite do futebol paulista.

Além disso, alguns ”clubes-empresas” surgem com uma nova visão acerca do futebol. É o caso do Audax São Paulo e Red Bull Brasil. Com maestria na gestão do esporte, esses clubes mostram o que dever ser feito fora das quatro linhas para obter o sucesso dentro delas.

Em momentos de discussão sobre o fim dos Estaduais, peço apenas maior atenção às finais da A2 e A3, que serão realizadas nos próximos finais de semana. E claro, atenção também para a série B – considerada a quarta divisão do Paulista – que começou no último sábado. Só assim veremos a importância destes campeonatos, principalmente para os times ”pequenos” e do interior.


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