sábado, 6 de julho de 2013

Coluna: Melhor ficar no sofá

De Belo Horizonte. 
Por Matheus de Oliveira. 

06/07/2013 - O torcedor tem encontrado motivos para ficar longe dos estádios. O preço praticado nas novas arenas nos impede de dizer que o futebol é popular. Talvez num outro sentido, sim. O futebol ainda é o esporte mais querido dos brasileiros, mas ir ao campo virou missão impossível para a maioria dos amantes do esporte. Hoje, fica mais em conta comprar um pacote de TV fechada do que acompanhar de perto o time do coração.
Foto: Divulgação
Pegando um exemplo de casa, o velho Mineirão sempre foi ponto de encontro da Zona Norte com a Zona Sul. O escritor Roberto Drummond dizia que as arquibancadas do estádio tinham o poder de unir diferentes grupos da sociedade. O Gigante da Pampulha não tem mais a geral, o mais popular e fantasioso setor do estádio. Da mesma forma o Maracanã. Os campos reformados com base nas arenas europeias exigem do torcedor um comportamento sintético.

Em outra vertente, os clubes se beneficiam com os altos gastos do torcedor. Já há um equilíbrio financeiro entre brasileiros e os times médios da Europa. Fato ocasionado também pela crise econômica do Velho Continente. Por um lado, a grande parcela dos amantes do futebol foi excluída dos estádios. Por outro, as equipes conseguiram melhorar o poder aquisitivo e, consequentemente, o técnico.

É inevitável que a discussão termine em outro tema: a profissionalização do futebol ajuda, mas também atrapalha. Ajuda na medida em que há o desenvolvimento com o auxílio da tecnologia. Atrapalha quando o dinheiro fala mais alto que a essência do esporte, a diversão, e insere no torcedor a obrigação de consumir, e muito, para manter o clube capaz de segurar os bons jogadores.

A tendência de crescimento do sócio torcedor revela o maior poder aquisitivo do brasileiro, mas também a irresponsabilidade de alguns, que coloca o amor ao time à frente da razão. Não entendo, por maior que seja o sentimento, como alguém tem a coragem de pagar centenas de reais para assistir jogos no estádio. Nos clubes, vemos o papel de explorar a paixão cega do torcedor para arrecadar cada vez mais.

Copa das Confederações

No torneio de seleções, parte dos ingressos foi vendida a valores populares, mas para se alimentar nos estádios, o torcedor encarou preços “criminosos”. No Mineirão, refrigerante e água a R$ 6, cerveja a R$ 12 e cachorro-quente a R$ 8. Os brasileiros devem ter estranhado a comercialização de batata frita ondulada, tortilhas e amendoim, que nada tem a ver com os nossos costumes. Coisa da Fifa.

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