sábado, 6 de julho de 2013

Coluna: Fé em "São Portaluppi"

De Belo Horizonte.
Por Arthur Möller.

06/06/13 - Está chegando a hora. Hoje, às 18h30, o cinquentão Renato Portaluppi dará reinício à sua história como treinador do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, clube que treinou entre agosto de 2010 e junho de 2011. Na ocasião, Renato comandou o tricolor gaúcho em 65 jogos, obteve 33 vitórias, 16 empates, 16 derrotas e nenhum título. A derrota para o rival, em pleno Estádio Olímpico, na final do Campeonato Gaúcho de 2011 e o fracasso na Copa Libertadores da América no mesmo ano, somados a supostos desentendimentos com Paulo Odone, presidente do clube na época, resultaram na demissão do treinador.

Sem perder tempo, Renato orientou seu primeiro treinamento na terça-feira.
(Foto: Lucas Uebel/Grêmio/Divulgação/A Razão)

Na coletiva de despedida, choro e uma promessa: "Eu vou voltar". Dois anos depois, ele voltou. No dia 2 de julho de 2013, por volta das 13h10, o maior ídolo da história do Grêmio desembarcou em Porto Alegre. Já no aeroporto Salgado Filho, o reencontro com fãs e torcedores. Pouco depois, na Arena do Grêmio, outro reencontro: dessa vez com o homem que presidira o clube em 1983 - ano em que o Grêmio conquistou o Mundial de Clubes, com dois gols de Renato -, o atual presidente Fábio Koff. Literalmente de braços abertos, Koff o recebeu. 

Desde 2001 sem conquistar títulos expressivos, o clube tem pressa, e, sabedor disso, Renato seguiu em direção ao gramado da Arena para comandar seu primeiro treinamento, logo após a entrevista coletiva. Chegando lá, o técnico gremista parou, olhou fixamente para o campo e soltou: "Imagina a pressão aqui dentro". Alguns metros à frente, o grupo de jogadores e, ao fundo, aproximadamente oito mil torcedores, entoando cânticos e saudando o grande ídolo. A presença do público deu à atividade um clima especial. Pareceu que o Grêmio entraria em campo para disputar três pontos.

Na tarde do dia seguinte (3), um jogo-treino no gramado principal do Estádio Olímpico, contra o São Paulo - clube gaúcho da cidade de Rio Grande. Vitória por 2 a 0, gols de Hernán Barcos e Kléber. Na quinta-feira (4), Renato voltou suas atenções para o sistema defensivo da equipe, em atividade que teve início às 15h30. Na manhã de ontem (5), um rachão - realizado em uma das metades do gramado do Olímpico - encerrou os treinamentos antes da viagem para Curitiba, onde o time encara o Atlético-PR, na Vila Capanema, pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro 2013.

Há menos de uma semana treinando a equipe, Renato já promoveu mudanças significativas no esquema tático. O 4-4-2 está mantido, porém, o meio-campo está sendo formado por um losango, composto por Adriano, como primeiro volante, Souza e Guilherme Biteco à frente e Zé Roberto, encostando nos atacantes. Com exceção do lateral-direito Pará - suspenso - e do meia Elano - machucado -, o Grêmio entra em campo completo neste sábado. Moisés e Guilherme Biteco suprirão os desfalques. Coincidentemente, Renato estreará contra o último clube que treinou, ainda no segundo semestre de 2011. De lá para cá, muita coisa mudou. Só o que não mudou foi a autoconfiança e o prestígio de Renato Portaluppi.

Antes tarde do que nunca

A cúpula gremista tardou, mas não falhou. Todos imaginavam que Vanderlei Luxemburgo fosse demitido logo após a derrota para o Santa Fé, da Colômbia - pelas oitavas de final da Copa Libertadores da América, que culminou na precoce eliminação na competição -, inclusive eu. De forma equivocada, Koff e seus homens de confiança mantiveram um treinador ultrapassado e de pouca identificação com o clube no comando, durante a pausa para a Copa das Confederações.

Como de praxe, surgiram especulações. Nomes como o de Muricy Ramalho, Cristóvão Borges, Dorival Júnior e do próprio Renato ganharam força durante a copa. Qual deles substituiria Luxemburgo? Talvez nenhum deles viesse e Luxemburgo cumprisse seu contrato até o fim. Mas enquanto o país inteiro se entretinha com os embates entre seleções, o velho Koff trabalhava. E das cinco possibilidades citadas acima, o manda-chuva gremista fez a melhor escolha.

Diferente de qualquer outro treinador, por mais capacitado que seja, Renato tem algo a mais para oferecer ao Grêmio. Só ele tem o poder de trazer a torcida para si, de imediato, e contagiar o elenco gremista, que é qualificado, mas que se mostrava pouco motivado. No Rio Grande do Sul, Renato é idolatrado, tal como um santo. E é com fé nele que os gremistas sairão às ruas, lotarão os treinamentos, os jogos na Arena, e impulsionarão a equipe, colocando-a de volta no caminho das conquistas.

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