domingo, 30 de junho de 2013

Incontestável

Com atuação memorável, Brasil desbanca o favoritismo espanhol e conquista a Copa das Confederações pela quarta vez

De Belo Horizonte.
Por Vinícius Silveira. 

30/06/2013 - Em 1950, Brasil e Espanha jogaram no Maracanã, em partida válida pela Copa do Mundo daquele ano. A vitória brasileira por 6 a 1 alegrou os mais de 150 mil torcedores naquele dia, que cantavam, a plenos pulmões, a música "Touradas em Madrid", do compositor Braguinha. Hoje, a Seleção Brasileira de futebol não chegou ao mesmo placar elástico, mas fez a festa dos brasileiros, que comemoraram o quarto título da Copa das Confederações, comandado por Luis Felipe Scolari. A vitória por 3 a 0, com dois gols de Fred e um de Neymar, teve direito ao hino nacional brasileiro cantado por várias vezes, e os gritos de "Olé", como nas touradas espanholas.

Jogadores campeões da Copa das Confederações de 2013.
(Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

O show brasileiro começou cedo

Com a mesma festa dos outros estádios em que a Seleção Brasileira atuou, o canto do hino nacional brasileiro e a força se juntaram em um só sentimento no Maracanã. Talvez nem o mais fanático torcedor brasileiro ou espanhol pudessem esperar uma diferença técnica tão grande a favor dos canarinhos. Decorrido um minuto de jogo, já saiu o gol do Brasil. Após cruzamento de Hulk, Fred e Neymar disputaram a bola com a defesa. Na sobra, Fred, caído, na pequena área, chutou para as redes de Casillas. A Seleção Espanhola não imaginava levar um gol tão cedo, haja vista seu futebol compacto e bem praticado. Com isto, os espanhóis sentiram o placar adverso, e pagaram caro por isso.

David Luiz disputa bola com Pedro. O zagueiro tirou um gol certo do atacante espanhol.
(Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Os jogadores brasileiros passaram a se posicionar no campo de defesa, buscando reduzir os espaços para evitar o toque de bola eficiente da Espanha. O Brasil marcava muito bem, e a cada roubada de bola, sempre saía em velocidade pelos lados do campo, com Hulk ou Neymar. Em um destes contra-ataques, o Brasil quase fez o segundo gol. Aos 32 minutos, Neymar partiu em direção ao ataque pela esquerda, e com a defesa espanhola totalmente aberta. Fred, que se posicionava no comando para evitar o impedimento, recebeu, e bateu rasteiro, mas Casillas fez ótima intervenção, mandando a bola para fora.

Na única oportunidade em que o Brasil foi envolvido pelo adversário, quase saiu o empate da Espanha. Aos 40, Iniesta lançou Pedro, que ajeitou para a perna esquerda, e bateu para o gol. A bola havia passado por Júlio César e balançaria as redes, mas David Luiz chegou no momento exato para evitar o gol. em cima da linha. No final do primeiro tempo, Oscar passou a Neymar, e o atacante bateu forte, estufando as redes de Casillas e fazendo 2 a 0.

Neymar comemora seu gol com Oscar. Foi o segundo gol do Brasil.
(Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Mais um gol de Fred e o título

Com a volta do intervalo, a espera era de que o Brasil fosse manter o belo futebol do primeiro tempo, e a Espanha voltasse melhor. O técnico Vicente Del Bosque tirou o lateral direito Arbeloa, que jogava mal, já tinha cartão amarelo e poderia ser expulso, e colocou Azpilicueta. Assim como na etapa anterior, os brasileiros balançaram as redes muito cedo. Novamente, a um minuto, Hulk tocou para a Neymar. O jogador do Barcelona deixou a bola passar, e Fred, livre, bateu de chapa, com a perna direita, buscando a canto de Casillas, e a bola novamente morreu nas redes espanholas.

Del Bosque ainda acreditava na reação, e colocou Jesús Navas em lugar de Juan Mata. Aos nove minutos, Navas, que acabara de entrar, sofreu pênalti do lateral esquerdo Marcelo. O zagueiro Sergio Ramos assumiu a cobrança. O defensor bateu no canto direito de Júlio César, e a bola foi para fora.

Fred comemora seu segundo gol, o terceiro do Brasil.
(Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Depois do pênalti, como última cartada, o técnico espanhol tirou Fernando Torres, apagado, e colocou David Villa. O Brasil chegava com muita tranquilidade ao gol da Espanha, mas pecava nas finalizações. Primeiro com Hulk, aos 12 minutos, após Casillas sair da grande área para dividir com o atacante. Depois com Marcelo, aos 18, que poderia ter tocado no meio para Fred. Para piorar a situação espanhola, Piqué cometeu falta em Neymar, que partia em velocidade em direção à área. O juiz holandês Bjorn Kuipers expulsou o zagueiro do Barcelona.

Felipão passou a mudar a equipe. Aos 27 minutos, tirou Hulk, muito combativo na defesa, e colocou em seu lugar o meia Jadson, que estreava na competição. O atacante foi ovacionado pela torcida. O Brasil tinha o controle do jogo, pois não exigia mais da defesa espanhola, mas também não permitia que os adversários atacassem. O técnico brasileiro processava a segunda alteração: a saída de Fred e a entrada de Jô, aos 34.

Oscar disputa bola com Sérgio Ramos
(Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

O goleiro Júlio César ainda trabalhou muito bem por duas vezes. Primeiro no chute cruzado de Pedro, aos 36, e depois, no arremate de David Villa. A bola tinha endereço do ângulo esquerdo, mas o camisa 12 fez bela defesa. Como último ato, Luis Felipe Scolari colocou Hernanes, quase um 12º jogador da equipe, para a saída de Paulinho. Depois, era só esperar o apito final do árbitro, que aos 47 minutos, apitava e erguia os braços apontando o fim da partida, decretando mais um título brasileiro da Copa das Confederações.

DESTAQUES INDIVIDUAIS - Com cinco gols no campeonato, o espanhol Fernando Torres ganhou a chuteira de ouro; Fred ficou com a de prata e o bronze foi de Neymar. Júlio César levou a luva de ouro, por ter sido escolhido o melhor goleiro. Paulinho foi o terceiro melhor atleta do campeonato, Iniesta foi o segundo e Neymar foi o craque.

Ficha do jogo:

Brasil 3 x 0 Espanha

BRASIL:
Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho (Hernanes) e Oscar; Hulk (Jadson), Fred (Jô) e Neymar.
Técnico: Luis Felipe Scolari

ESPANHA:
Casillas; Arbeloa (Azpilicueta), Sergio Ramos, Piqué e Jordi Alba; Busquets, Xavi, Iniesta e Juan Mata (Jesús Navas); Pedro e Fernando Torres (David Villa).
Técnico: Vicente Del Bosque

Motivo: Final da Copa das Confederações
Data: 30/06/2013
Horário: 19 horas

Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Público: 73.531

Árbitro: Bjorn Kuipers (Holanda)
Auxiliares: Sander Von Roekel e Erwin Zeinstra (ambos da Holanda)

Cartões amarelos: Arbeloa e Sergio Ramos (Espanha)
Cartão vermelho: Piqué (Espanha)

Gols: Fred, a um minuto, e Neymar, aos 43 minutos do primeiro tempo; Fred, a um minuto do segundo tempo.

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