domingo, 9 de dezembro de 2012

Coluna: O inimigo vem da terra dos faraós

De São Paulo.
Por Eduardo do Carmo.

09/12/2012 - Aos poucos, as fases vão passando e a estreia do Corinthians na Copa do Mundo de Clubes da FIFA fica cada vez mais próxima. Serão três longos dias e muita ansiedade pela frente. No entanto, os treinamentos e pensamentos estarão voltados exclusivamente ao Al Ahly, time egípcio que venceu o japonês Sanfrecce Hiroshima, neste domingo, por 2 a 1, e garantiu vaga para a semifinal diante do Timão.


A partida que definiu o adversário do Corinthians foi apenas regular, porém alguns detalhes chamaram a atenção. Por parte do time japonês, destaque para o interessante esquema tático. Os alas Mikic e Shimizu, pela direita e esquerda, respectivamente, deram muito trabalho para a já confusa defesa do Al Ahly. Com Hisato Sato, craque do time e artilheiro do Campeonato Japonês, centralizado no ataque, e uma espécie de dois pontas, o Hiroshima chegava com perigo, mas pecava na finalização. Com o avanço descrito anteriormente, os volantes se preocupavam apenas com a defesa e garantiam maior segurança aos zagueiros.

Os japoneses tinham também a velocidade a seu favor. Na teoria, um time difícil de ser batido, na prática não. Muitos erros facilitaram a vida da zaga egípcia, que chega a ser uma mãe para os atacantes. Para ter uma ideia da "mamata" encontrada no setor defensivo da equipe do Oriente Médio, o próprio Sato, no meio de dois zagueiros, recebeu um passe vindo do volante, entre três adversários, e saiu cara a cara com o goleiro. O japonês avançou, invadiu a área, olhou para o gol e chutou para fora. Claro, foi só um lance, mas cabe uma comparação ao que foi apresentado durante os 90 minutos.

Mas o Sanfrecce Hiroshima está eliminado no Mundial, pelo menos da fase semifinal. O time da casa ainda disputa o quinto lugar contra o outro time de ”olhos puxados”, o Ulsan Hyundai, da Coreia do Sul, que perdeu para o mexicano Monterrey, adversário do Chelsea na outra semi. Então, melhor falarmos do que interessa ao Brasil, o "inimigo" corinthiano.

O Al Ahly é o típico e tradicional time que não tem variação, taticamente falando. A equipe se postou em campo no 4-4-2, mesmo esquema do time japonês, porém sem o leque de opções pelas laterais visto do outro lado. A vantagem dos egípcios estava na técnica. Bom passe, tranquilidade na armação e jogadores mais experientes. Entre eles, Aboutrika, atacante com passagens importantes pela seleção do Egito, que começou na reserva e entrou por conta de uma contusão do capitão do time.

Mohamed Aboutrika, 34 anos, foi essencial na classificação. E não só pelo gol. O atacante demonstrou muita segurança e levou a sua equipe ao ataque com maior frequência. O gol do Hiroshima, por exemplo, saiu após o Al Ahly abdicar-se do campo ofensivo por conta do primeiro gol feito.

Com tudo isso, vale uma constatação. O Al Ahly tem maior tradição e números mais expressivos de títulos em comparação ao Hiroshima, porém é o melhor adversário para o Corinthians. Isso porque o maior defeito do Timão, que são as laterais, é o ponto forte do representante do Japão. E com todo respeito, Paulinho, Danilo, Douglas, Guerrero e Sheik terão enorme facilidade no duelo com a zaga egípcia, que para ser ruim precisa melhorar um pouco.

Não que o Corinthians temesse o confronto com os Samurais do Hiroshima, longe disso, mas os Faraós do Al Ahly não estão sequer próximos do poder da época do Egito Antigo. Mais uma vez cito o respeito, pois todo adversário é um possível vencedor, independente da grandeza (Internacional que o diga com o Mazembe), mas nessa batalha, sou muito mais Mosqueteiro.

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