Do Rio de Janeiro.
Por Pedro Muxfeldt.
03/10/2012 - Na
primeira metade da década de 1970, o torcedor do Flamengo acostumou-se a chegar
ao Maracanã horas antes do jogo para acompanhar as partidas da equipe de
aspirantes, como eram chamados à época os jogadores da base, comandada por
Zico, Adílio e Geraldo Assobiador. Eram tempos difíceis para o rubro-negro e
aquela garotada representava uma esperança – confirmada pouco depois.
Cerca
de 40 anos depois, entretanto, o que vemos é o sucateamento das categorias de
base. Aliada aos grandes canais de televisão, a CBF cria uma miríade de
torneios sub-20 que tem o único propósito de servir como vitrines para os
empresários fazerem negócios cada vez mais escusos. Esses fatores, somados ao
baixíssimo nível técnico, já que os melhores jogadores estão no time de cima, têm
como consequência o total desinteresse do público nos torneios.
Nessa
terça-feira, às 20 horas, Avaí e Corinthians deram o pontapé inicial para a
Copa do Brasil Sub-20 – torneio de mata-mata que põe frente a frente os 20
clubes da Série A e os 12 melhores da Segundona – em uma Ressacada com público
de pelada no Aterro.
Dentro
de campo, os mesmos problemas dos profissionais. Equipes fechadas, jogadores
bem dotados física, porém não tecnicamente, cruzamentos para a área quase como
recurso único e faltas desnecessárias.
Com
esses ingredientes tão estragados, até que o resultado superou as expectativas:
2 x 2.
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| Jogadores do Avaí celebram o primeiro gol. (Foto: Jamira Furlani) |
Todos
os gols, contudo, contaram com alguma ajudinha das defesas para sair. Logo com
dois minutos de jogo, a defesa do Timão bobeou e Tauã invadiu a área sem marcação.
Na saída do goleiro Marcelo Caldeira, o meia tocou por baixo e abriu o placar.
Aos
8, mais um gol catarinense. Tauã foi derrubado na área por Antônio Carlos. Na
cobrança, Peterson bateu com categoria, rasteiro para ampliar.
A
vantagem-relâmpago relaxou a equipe azul e branca que, no melhor estilo dos
profissionais, tirou o pé do acelerador e passou a cozinhar a partida.
Atordoado,
o time paulista não conseguia chegar com perigo. Enquanto isso, o Avaí trocava
passes à exaustão e só não fez mais gols por falta de capricho nas finalizações.
O
segundo tempo, porém, viu outra história ser contada. O Corinthians voltou para
o campo mais incisivo e pressionou o adversário desde o primeiro minuto. De
tanto martelar, o alvinegro foi premiado em dobro.
Aos 25, Giovanni, que já foi
utilizado por Tite no time profissional, arriscou de longe e a bola, após desviar no meio do caminho,
entrou mansamente, no canto direito.
Quatro
minutos depois, o mesmo Giovanni bateu falta na direção do gol e a casquinha do
zagueiro Wallace, do Avaí, foi o suficiente para matar o goleiro.
Com
o empate alcançado, o Coringão, que correu demais na etapa final, cansou e
contentou-se. O Avaí até tentou, mas, esbarrando em suas próprias deficiências,
não ameaçou o gol defendido por Marcelo Caldeira.
O
resultado deixa o Corinthians em situação favorável para o jogo de volta, dia
16 de outubro, em Americana. O empate em 0 x 0 ou 1 x 1 garante os corinthianos
nas oitavas de final da competição.
Quem
passar deste confronto encara o vencedor de Ponte Preta e Vasco. Nessa terça, o
time da Cruz de Malta fez 1 x 0 sobre a Macaca, em Campinas, e avança com
qualquer empate em São Januário, no jogo também do dia 16.

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