sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Coluna: "A bola está comigo" - E o Tênis?

De São Paulo.

O Brasil já mostrou que tem espaço para qualquer novidade no esporte. A modalidade se espalha e vários adeptos aparecem. É o caso do MMA, que conquistou os brasileiros e é motivo de discussão e comentários em muitos lugares. Até então, só o futebol era comentado com tanta empolgação. A questão desta coluna é: Por que o Tênis, um esporte tão emocionante, não se firma em nosso país?


Sim, pensei neste tema por causa da final do Aberto da Austrália entre Djokovic e Nadal disputada no último domingo. Porém não é de hoje que o tênis mostra muitas qualidades, emoções e pequenos detalhes que fazem toda a diferença. E eu sou um daqueles que ficam parados diante da TV por cinco ou seis horas, se for necessário, para acompanhar um grande jogo.

Pensei em algumas razões do ''desinteresse'' da nação verde e amarela por este esporte. Uma delas é que há um bom tempo, o Brasil não tem um tenista com grandes conquistas. O último a fazer história, Gustavo Kuerten, conhecido como Guga, até criou uma grande expectativa, mas logo voltou tudo ao normal após a sua aposentadoria em 2008. Um pouco antes, Fernando Meligeni também brilhou nas quadras e parou em 2003. Não podemos esquecer da maior jogadora brasileira de todos os tempos, Maria Esther Bueno, vencedora do US Open e Wimbledon por três vezes cada. A grande campeã colocou a década de 60 como a mais positiva para o tênis brasileiro.

Uma das esperanças para alterar este quadro é o paulista Thomaz Bellucci, que está entre os 50 melhores do mundo. Com o tempo, o garoto de apenas 24 anos ganhará experiência e enfrentando os medalhões de igual para igual, poderá trazer a torcida brasileira para o lado do tênis.

Outro motivo é a distância dos craques. O Brasil Open e o Aberto de São Paulo, principais campeonatos no Brasil, não contam com os melhores no ranking da ATP. Assim, não desperta interesse do público nesses torneios. Uma coisa normal no tênis, que possui várias competições simultâneas e os atletas mais conhecidos optam por aquelas que disponibilizam maior número de pontos no ranking.

No entanto, a maior razão para o espaçamento entre os brasileiros e o tênis pode ser o modo de torcer. Estamos acostumados aos estádios de futebol com muito barulho. O que é totalmente oposto ao estilo do tênis, que não permite grandes ruídos durante o andamento da partida.

A esperança do sucesso das raquetes e bolinhas no nosso país aparece quando se coloca na mesa, os motivos pelo qual o tênis ainda pode brilhar por aqui. Jogo leal e condicionamento físico impecável são as marcas dos tenistas. Essa é a receita para os espetáculos vistos durante todo o ano. Há também muito respeito entre os rivais e cada atleta é responsável no compromisso com os espectadores.

Os jogadores sabem que na quadra ou pela televisão, milhares de fãs aguardam o ''show'' de cada um deles. Por isso, preparação física e treinamentos fortes são levados a sério. O que explica a quantidade de bons tenistas e poucas contusões sérias.

Enfim, várias questões ''facilitam'' o grande vão entre o tênis e o sucesso no Brasil. Mas os pontos positivos, já falados aqui, podem ser o diferencial rumo ao sucesso. Novos talentos e maior incentivo à prática do esporte são pontos chaves para o início de toda a mudança.

0 comentários :

Postar um comentário